Entenda o que são os nutracêuticos e para que servem

Muito se tem falado em nutracêuticos, mas o que eles realmente são? Temos, historicamente, o uso de alimentos como maneira de prevenir e reduzir o risco de doenças. No Japão, especificamente, esse movimento ganhou força na década de 90, quando o governo através do Ministério da Saúde e Bem Estar com a criação de uma categoria de alimentos chamada FOSHU (Foods for Specified Health Use), que tinha como principal objetivo promover alimentos que trouxessem mais saúde à população. Segundo a definição apresentada junto ao programa, os FOSHU eram "alimentos projetados e processados para suprir funções relacionadas a mecanismos de defesa do organismo, controle do ritmo corporal e prevenção e recuperação de doenças".

Posteriormente, começou a se discutir a questão dos alimentos funcionais, sendo que em 1995 o ILSI (International Life Science Institute) apresentou a primeira definição – e que vem sido aceita desde então - para eles: "alimentos funcionais são aqueles que melhoram ou afetam a função corporal, além do seu valor nutricional normal". Ou seja, são alimentos que além de nutrir também possuem características que contribuem na redução do risco de doenças.

Então o que seriam então os nutracêuticos? São alimentos funcionais? São alimentos específicos? Diferentemente do que muitos acreditam, o nutracêutico não diz respeito a alimentos em si, mas sim relativo à produtos que possuem componentes alimentares funcionais isolados. Segundo definição de Zeisel (Regulation of nutraceuticals. Science 285:1853-55, 1999), nutracêuticos são "suplementos alimentares que contém a forma concentrada de um composto bioativo de alimento, apresentado separadamente da matriz alimentar e utilizado com a finalidade de melhorar a saúde, em doses que excedem aquelas que poderiam ser obtidas de alimentos." Ou seja, são os compostos e nutrientes encontrados em alimentos mas apresentados de maneira mais concentrada.
É o caso do ômega 3 encontrado nos peixes, licopeno encontrado nos tomates ou betacaroteno nas cenouras e beterrabas. Todos esses alimentos possuem esses nutrientes, é fato, mas muitas vezes na alimentação diária não ingerimos toda a quantidade benéfica para o nosso organismo. Entra aí a suplementação desses nutrientes com o uso de nutracêuticos.

Os suplementos alimentares são produtos administrados principalmente como cápsulas. Exemplos de suplementos são derivados da soja amenizadores de sintomas menopausa, ginkgo biloba para a perda de memória e glucosamina / condroitina para a artrite. Os ingredientes desses suplementos são geralmente vitaminas, fitoquímicos, minerais, óleos e aminoácidos.

Os nutracêuticos têm recebido um interesse considerável por causa de seus potenciais efeitos nutricionais e terapêuticos. Esse interesse cresceu especialmente pois as pessoas passaram a ficar cientes dos resultados benéficos trazidos pelo seu consumo. Um dos exemplos de nutracêuticos que é muito usado é a quitosana, encontrada na carapaça de crustáceos. Ao ser ingerida, a quitosana transforma-se em gel ao entrar em contato com as condições estomacais, antes das refeições. Nesse gel formado, a quitosana apresenta uma carga global positiva distribuída por todo o polímero, em solução, tornando-a apta a atrair e ligar-se a moléculas carregadas negativamente, como os ácidos graxos e sais biliares. Quando as gorduras ingeridas na alimentação entram em contato com o gel, são logo capturadas pelas moléculas do polímero e levadas para o intestino, onde, em contato com um pH básico, a quitosana é solidificada permanecendo como um envoltório sobre a gordura, que evita a ação das lipases impedindo desse modo a sua consequente absorção pelo organismo, sendo excretada juntamente com as fezes. Cada grama de quitosana ingerida tem capacidade de capturar e eliminar até 8 gramas de gordura ingerida.

É importante lembrar que nada substitui uma alimentação saudável e equilibrada; assim, os nutracêuticos devem ser vistos apenas como suplementos e não substitutos dessa alimentação.