A história da farmácia de manipulação

Podemos dizer que a origem e a própria história das farmácias de manipulação se confundem com a história da medicina. Antigamente, o homem se utilizava de recursos encontrados na natureza para se curar e proteger das enfermidades. Tudo isso era feito a partir da observação e teste. Assim, através da experiência e dos diversos testes feitos ao longo do tempo que o homem percebeu que existem uma série de recursos e propriedades na natureza que ajudam na cura ou manutenção da sua saúde.

Se isso vem desde os primórdios, com o tempo essa obervação e experimentação foi se especializando. No Brasil, por exemplo, os índios já praticavam a medicina da sua maneira, seguindo esse conceito de encontrar a cura na natureza. Depois tivemos os jesuítas, que construíram as primeiras boticas e enfermarias, nas quais um era responsável por cuidar dos doentes e outro pela preparação dos remédios. Esse é inclusive um dos motivos pelos quais costuma-se dizer que a medicina e a farmácia eram uma só profissão que depois se dividiram devido à especialização necessária para cada uma.

Quando os jesuítas eram responsáveis pelas boticas, no início importavam os medicamentos e produtos do velho continente, mas com o tempo – e novamente a observação e experimentação – perceberam que havia nos recursos naturais do país uma série de elementos que eram hábeis a ajudar nessa manipulação de remédios. Eles possuíam ainda um receituário próprio, com os métodos de preparação dos remédios e também de como obter certos produtos químicos como o nitrato de prata, por exemplo.

Em 1604 que as boticas foram autorizadas como comércio e passaram a crescer e se multiplicar pelo país. Elas eram dirigidas por boticários aprovados em Coimbra (Portugal) pelo médico – chamado físico-mor – ou por seu delegado comissário no Brasil que ficava na capital da época, Salvador-BA. Assim todos os medicamentos vendidos eram manipulados um a um, conforme as dosagens prescritas nas receitas. As boticas – e os boticários – passaram por uma série de validações e especializações no Brasil, até o fim da segunda guerra mundial, em 1945, quando surgiram as primeiras indústrias farmacêuticas. Elas passaram a produzir remédios com dosagens específicas para o tratamento de cada enfermidade, o que diminuiu consideravelmente a necessidade de manipulação específica dos medicamentos prescritos. Se o paciente tinha uma gripe, por exemplo, um remédio pré estabelecido serviria para o tratamento; que é como vemos hoje em dia na maioria dos casos.

Devido à isso, a manipulação de medicamentos foi perdendo espaço, ficando restrita basicamente a ambientes hospitalares e algumas poucas farmácias, bem diferente do que era antes. O seu ressurgimento se deu na década de 70, quando as farmácias de manipulação apareceram como atividade restrita do profissional farmacêutico, como é até hoje, com medicamentos específicos e personalizados. A vantagem é que o paciente tem uma medicação personalizada, que vai de encontro com o que precisa ser tratado e conforme as suas necessidades e predisposições. Um tratamento genérico para alguma necessidade pode não ser eficaz ou ainda causar uma alergia, coisa que na manipulação não ocorre. Por isso os medicamentos manipulados são amplamente utilizados por dermatologistas, por exemplo, uma vez que é possível tratar os casos com especificidade e eficiência.